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Quando o medo volta, a contrariedade aparece

Uma mãe acreditava ter deixado para trás um dos períodos mais difíceis de sua vida quando o câncer do filho entrou em remissão. Com a notícia da recidiva, retornaram o medo, a insegurança e uma profunda contrariedade. No mesmo período, uma crise de dor lombar trouxe outra dimensão ao cuidado: além das alterações identificadas nos exames, havia uma pessoa vivendo uma história que também precisava ser ouvida.

Quando o medo volta, a contrariedade aparece

CONTOS DE UMA PICS, 

Histórias de Vidas


Quando o medo volta, a contrariedade aparece
Ela já tinha vivido aquilo uma vez.
O diagnóstico de câncer do filho mudou completamente a vida daquela mãe. Vieram os exames, o tratamento, as incertezas e um medo que talvez só quem acompanha um filho adoecido consiga compreender.
Era o medo do que poderia acontecer. O medo de não conseguir protegê-lo. O medo do amanhã.
Mas o tratamento aconteceu.
O filho respondeu. A doença entrou em remissão.
E, pouco a pouco, a vida começou a seguir novamente. Ela voltou a respirar, a fazer planos e a acreditar que aquele capítulo finalmente tinha ficado para trás.
Até que veio uma nova notícia:
o câncer havia voltado.
Naquele instante, não foi somente a doença que retornou.
Voltou tudo aquilo que ela já tinha vivido.
As lembranças. A insegurança. Os tratamentos. A espera pelos resultados. E, principalmente, o medo.
“Vamos passar por tudo isso outra vez?”
Só que dessa vez havia algo além do medo.
Havia contrariedade.
“Por que novamente?”
“Depois de tudo que ele já enfrentou?”
“Depois de tudo que nós já enfrentamos?”
Era como se alguma coisa dentro dela gritasse:
“Eu não queria ter que viver isso de novo.”
Foi justamente nesse período que sua coluna entrou em uma crise importante.
Os exames mostravam comprometimentos discais em L3–L4 e L5–S1.
Claro que existia uma alteração estrutural. Existia uma coluna que precisava ser avaliada e tratada.
Mas havia também uma história acontecendo ao mesmo tempo.
Quando aquela mulher chegou até nós, não encontramos apenas uma paciente com dor lombar.
Encontramos uma mãe.
Uma mãe diante do medo de perder um filho e, ao mesmo tempo, profundamente contrariada por perceber que uma batalha que parecia encerrada estava começando novamente.
E talvez seja justamente isso que as Práticas Integrativas nos ensinem todos os dias:
não existe somente uma coluna para ser tratada. Existe uma pessoa carregando aquela coluna.
Por isso, algumas vezes, perguntar apenas “onde dói?” é pouco.
Também precisamos perguntar:
“O que estava acontecendo na sua vida quando começou a doer?”
Porque um exame pode nos mostrar uma lesão.
Mas é ouvindo a história que começamos a conhecer a pessoa.
Pics para todos,A vida pede mais!

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