PICS Para Todos

O ciático travou. A vida pediu que ela olhasse para dentro.

Após mais de 40 anos de casamento, uma mulher precisou reorganizar a vida depois da perda do marido. Anos depois, chegou à PICS para Todos com lombociatalgia e encontrou um cuidado que não se limitou ao sintoma físico, mas considerou também sua história, seu luto e os desafios de reconstruir o futuro.

O ciático travou. A vida pediu que ela olhasse para dentro.

Ela chegou até nós por causa de uma dor.


Uma dor forte, que começava na região lombar e descia pela perna direita.
Lombociatalgia.
Era isso que o corpo apresentava naquele momento.
Mas, quando começamos a ouvir sua história, percebemos que aquela dor não havia começado ali.
Havia alguns anos, ela tinha perdido o marido.
Foram mais de 40 anos de casamento, de parceria, de planos, de decisões tomadas a dois. De repente, aquela presença deixou de existir.
E ela precisou continuar.
Depois da perda, primeiro apareceu a dor lombar.
Mais tarde, veio uma capsulite adesiva no ombro direito. O ombro começou a doer, perder movimento, limitar sua vida.
E, por último, surgiu a lombociatalgia.
Foi com essa dor irradiando para a perna direita que ela chegou à Clínica Solidária PICS para Todos.
Só que naquele dia nós não queríamos saber apenas onde doía.
Queríamos saber:
O que estava acontecendo com aquela pessoa?
Ela passou pela nossa Câmara Clínica da Dor, recebeu acupuntura, foi acolhida pelo Reiki e, por último, chegou ao plantão psicológico.
O corpo estava sendo cuidado.
Mas sua história também precisava ser escutada.
E se a dor também estiver contando alguma coisa?
Pela lente do DNA Code das Emoções, observamos o sintoma dentro de um contexto maior: corpo, comportamento, experiências emocionais e história de vida.
Não significa afirmar que uma emoção seja, isoladamente, a causa de uma doença. Dor é multifatorial e precisa ser compreendida considerando seus componentes biológicos, mecânicos, neurológicos, psicológicos e sociais.
Mas algumas perguntas podem abrir caminhos importantes.
Quando surgiu a primeira dor lombar, havia uma perda ainda difícil de reorganizar internamente.
Quando apareceu a capsulite adesiva, havia uma mulher tentando reaprender a caminhar sem o apoio e a parceria de alguém que esteve ao seu lado durante mais de quatro décadas.
E quando a dor começou a descer pela perna direita, uma pergunta ganhou força:
Como construir um futuro quando o futuro que você imaginou durante tantos anos deixou de existir?
Talvez fosse preciso olhar para além do ciático.
Olhar para a mulher.
Para o luto.
Para a ausência.
Para o medo de seguir.
E, principalmente, para a possibilidade de começar novamente.
Naquele dia, ela chegou procurando ajuda para uma dor que descia pela perna.
Mas encontrou profissionais dispostos a olhar para a pessoa inteira.
Porque algumas dores pedem tratamento.

E algumas histórias também pedem espaço para serem ouvidas.
A vida pede mais.

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